A VENDA INDUSTRIAL
- I
A
operação de venda para a indústria pode envolver matérias-primas,
insumos, produtos semi-acabados ou prontos e, ainda, serviços.
Para cada um desse tipos de bens o profissional da venda precisa
escolher uma abordagem especifica, combinando conhecimento do
produto, aplicação e uma forma adequada de apresentação
da oferta.
A motivação fundamental da compra,
nesse setor, vem da vocação industrial de cada empresa e pode
implicar até a pesquisa de produtos e serviços para necessidades
muito específicas. A mesma matéria-prima, insumo ou serviço
pode ter diferentes aplicações conforme o ramo da
indústria ou o produto a ser confeccionado. O custo relativo
deste mesmo bem pode ser bastante diferente em cada situação
de venda.
Natureza da demanda industrial
A demanda
da industria é chamada de derivada, pois se origina das solicitações
do mercado consumidor e dele dependem diretamente. Desta forma
o volume de vend12 para a indústria é diretamente
proporcional a procura dos produtos fabricados pelos consumidores.
Estamos todos no mesmo barco. Matérias primas, insumos
ou serviços mais caros tornam os produtos finais mais caros
e por consequência com menor volume de vendas.
Obs.:
Na cadeia de valores é permananente a tentativa de repassar
custos aos elos mais fracos ou com menor poder de barganha. Desta
forma nem sempre as alterações de custo podem ser
repassadas livremente à frente. Conforme o poder de barganha
dos nossos clientes somos obrigados a absorver toda ou parte destas
variações.
No mercado industrial é quase obrigatório
a ênfase da venda pessoal. Mesmo que sejam predominante racionais
as motivações que levam o encarregado de compras ou o departamento
especializado a fazer aquisições, o contato pessoal através
do profissional da venda é determinante. A negociação transforma-se,
de fato, numa busca efetuada pelas duas partes com o objetivo
de se chegar a uma conclusão satisfatória para ambas. Não se trata
de induzir o comprador a adquirir determinado produto ou a comprar
mais, mas de descobrir um campo de satisfação para duas necessidades
não opostas, mas sim complementares. Dessa forma, as conversações
não se desenvolvem apenas sobre o produto ou serviço em si, mas
também sobre os elementos colaterais (condições de pagamento,
prazos e condições de entrega) que dêem mais agilidade
ao mecanismo de pretensões e concessões que constitui a verdadeira
essência da negociação.
Essa valiosa experiência mostra toda
sua utilidade sempre que o profissional da venda precisa entrar
de novo em contato com as várias pessoas envolvidas no processo
de compras de uma empresa, para as quais a arte da negociação
é um componente essencial de sua habilidade profissional.
Requisitos
do vendedor de bens industriais
Em linhas gerais, são os seguintes os requisitos exigidos do vendedor
de bens industrias:
-
O profissional de vend12 de bens industriais precisa conhecer a fundo o produto ou
serviço que oferece. Mesmo que não seja propriamente um técnico,
ele precisa estar em condições de debater de igual para igual
com o responsável pelo setor de compras de cada empresa cliente.
Mesmo
que em alguns casos seja preciso mesmo fazer-se acompanhar de técnicos
da empresa fornecedora, o vendedor deve ter conhecimentos que
o habilitem a sair-se bem tanto na fase de apresentação do produto
ou serviço quanto na de responder às objeções do comprador potencial.
- A complexidade das negociações e a necessidade de corroborar
com fatos as argumentações obrigam o vendedor de bens industriais
a organizar de antemão a operação de venda e preparar-se para
enfrentar qualquer imprevisto que apareça durante a negociação.
- Ele também deve saber que, tanto ao tratar com um só encarregado
como ao conversar com todos os integrantes de um departamento
de compras, precisa sustentar com firmeza a negociação e, ao mesmo
tempo, descobrir as motivações pessoais de seus interlocutores.
O mais importante nesse jogo é descobrir com quem está de fato
o poder de decisão e orientar nesse sentido a exposição.
Mas o profissional
da venda deve ter sempre em mente, porém, que não é um técnico
e sim um vendedor. Ou seja, deve ser capaz de transformar seus
conhecimentos e habilidades em argumentações de venda e, ainda,
conseguir transmitir ao comprador em potencial sua convicção e
seu entusiasmo em relação ao produto ou serviço que oferece ao
cliente.
O
processo de compra de bens industriais.
A venda de um bem industrial pode demorar semanas ou meses. É
preciso conhecer e respeitar o ritual de aprovação
de novos fornecedores ou itens de cada cliente.
O vendedor de bens industriais é um profissional de quem se exige
preparo especial, não só no que se refere ao conhecimento do
produto ou serviço que oferece, mas também quanto à habilidade
de organizar e de padronizar as técnicas de relação interpessoal
em função de um processo de compra mais racional do que o habitualmente
encontrado no mercado de consumo.
As empresas de transformação tendem
a envolver nas negociações de compra um número maior de pessoas(decisores
e influenciadores), cada uma delas com uma competência própria
no processo que levará à aquisição do bem ou serviço. Em linhas
gerais, a negociação desenvolve-se em três fases:
Primeira fase: É quando se estebelece a relação entre o vendedor e
o comprador (este com frequência, um simples porta-voz de
um departamento especializado). Trata-se de uma etapa longa e
complexa, finalizada com o conhecimento do produto ou serviço
e de sua capacidade de satisfazer a necessidade que origina a
compra. Nessa fase, solicitam-se do vendedor informações adicionais
e ajuda para resolver eventuais problemas de produção. Costuma
ser um período decisivo para criar estima e cooperação entre vendedores
e cliente.
Segunda fase: Nesta fase acontecem o desenvolvimento
da negociação e a decisão de comprar ou não o produto ou serviço
oferecidos. O vendedor, além de demonstrar a capacidade de o produto
ou serviço satisfazer às necessidades do comprador, procura garantir
que a entrega se faça dentro das condições, qualidade e do prazo
combinados. Um atraso terá influência negativa sobre o processo
de produção do comprador e poderá prejudicar no futuro suas relações
com o vendedor e a empresa para a qual ele trabalha.
Terceira fase: Concretizada a compra, o vendedor precisa estar atento a um
fenômeno muito freqüente: o surgimento de um conflito entre a
empresa vendedora e a organização compradora. A origem deste conflito
está mudança de fornecedor, o que geralmente ocasiona
um período de turbulência. Resolver esse conflito
significa não só preservar a venda, mas, principalmente, não perder
o clima de confiança e perspectiva de uma relação de longo prazo
com o cliente.
Desenvolvimento
do processo de decisão
O processo
de compra de bens industriais começa quando a necessidade é detectada.
Em seguida, o cliente potencial examina as possibilidades de aquisição
do produto ou serviço e chega a uma conclusão. A decisão
de compra é tomada para atender a uma destas necessidades:
Compra normal ou para reposição do estoque. A empresa
(voltada para uma atividade produtiva
de rotina) compra novas quantidades de um produto do mesmo fornecedor
(uma matéria-prima, por exemplo), a fim de realimentar seu processo
de fabricação. Nesse caso, quem detecta a necessidade é o responsável
pela produção ou o encarregado do estoque, que perceberam a disponibilidade
da matéria-prima se aproximar do nível mínimo de segurança.
Em qualquer dos casos, a situação não cria problemas maiores
para o vendedor, que desenvolve uma mera operação de
repor o estoque.
Compra diversificada ou objetivando modificações
operacionais. O produto comprado não proporcionou bom resultado,
ou o comprador resolve modificar seu processo de decisão de compra.
Essa alteração pode implicar até uma mudança de fornecedor. Nesse
caso, quem identifica a necessidade é, às vezes a área
de engenharia, com a finalidade de diminuir custos ou alterar
os padrões de qualidade dos produtos.Para o vendedor,
a situação se complica. Antes tudo, ele precisará identificar
com clareza as motivações da mudança, e,
ao mesmo tempo, tentar uma nova operação de venda demonstrando
as desvantagens da referida mudança. Terá de mostrar sensibilidade
para compreender se as colocações do comprador justificam-se
ou se representam apenas um pretexto para mascarar uma intenção
de mudar de fornecedor.
Compra de um novo produto. Neste caso, a necessidade
é detectada dentro da empresa por qualquer pessoa com inclinação
para a inovação e com suficiente poder decisório. Com um produto
novo, o vendedor oferece-o a todas a sua clientela efetiva ou
utiliza-o para conquistas uma parcela de compradores potenciais.Obviamente
, só uma compra nova ou diferente da início a um verdadeiro processo
de tomada de decisão. Verificada a necessidade de modificar ou
inovar em termos de compras, a empresa sai a campo a fim de identificar
o produto ou serviço capazes de satisfazê-la e estabelece especificações
exatas que os fornecedores deverão atender. No caso de uma oferta
de produto ou serviço novos feita diretamente pelo vendedor, cabe
a este demonstrar que convém ao cliente aceitá-la
Identificação das fontes de fornecimento
Nesta etapa, o vendedor atua como
elemento de ligação entre o comprador potencial, do qual recebe
(ou ao qual dá) indicações precisas, e a empresa fornecedora,
à qual passa especificações solicitadas. Habitualmente, o cliente consulta várias fontes
de fornecimento e recebe um pacote de propostas, algumas delas
descartadas logo de início por não se adequarem às especificações
estabelecidas. As restantes passam por um exame mais meticuloso,
com a finalidade de se identificar a mais convincente. Começa
então, uma fase de venda pessoal, quando a empresa compradora
chama os diversos vendedores e examina com cada um deles as características
dos produtos ou serviços oferecidos, além de condições de pagamento,
prazo de entrega e outros fatores adicionais.
A aceitação
da oferta implica estabelecer uma rotina de fornecimento e, depois
de certo prazo, avaliar o desempenho do produto ou serviço – o
que determinará novos pedidos ou, se o cliente não estiver satisfeito,
a procura de outro fornecedor. Por isso, o vendedor cuja oferta
for escolhida na primeira avaliação não pode descuidar-se e manter
um acompanhamento contínuo junto ao cliente.
(Continua
no próximo número)
Autor:
Vitor Hugo A. Toss, Consultor em Marketing , especialista em Gestão
da Força de Vendas.
Baseado na edição Vendas, dos cursos profissionais
Globo.
email:
gestao@gestaodevenda.com.br
Boa
sorte, e boas vendas.
Nos encontramos na próxima semana.