A VENDA INDUSTRIAL
- II (continuação
do e-zine No 28)
Enfoques de venda:
O
vendedor pode oferecer à empresa industrial:
- matérias-primas que, combinadas, resultarão no
produto acabado;
- instrumentos e materiais variados para a produção,
como máquinas, peças de reposição
e bens de consumo;
- serviços necessários ao funcionamento de equipamentos
e ao cumprimento de atividades internas da empresa.
Essa ampla gama de produtos e serviços exige diferentes
graus de preparo e competência por parte do vendedor. De
fato, não se trata de oferecer bens de consumo corriqueiros,
mas de atender a necessidades quase sempre muito específicas
e complexas. Por esse motivo, o profissional precisa ter um bom
conhecimento daquilo que pretende vender ao cliente.
A oferta de matérias-primas.
Durante o processo de produção, as matérias-primas
perdem totalmente a identidade e se transformam em produtos acabados,
com características específicas. Quando vendidas,
elas se apresentam em estado natural. Os processos de fabricação
modificam-nas e determinam o desempenho dos produtos em que são
usadas , em conseqüência, definem também as
diferenças destes em relação aos produtos
feitos pela concorrência.
No âmbito industrial, a venda de matérias-primas
exige do vendedor, abordagens muito diversas das usadas para oferecer
produtos acabados ou serviços. Sabedor de que, de modo
geral, as matérias-primas oferecidas pelos fornecedores
potenciais são basicamente de qualidade aceitável,
o comprador concentra suas atenções em outros aspectos
(tais como preço, prazos de pagamento, condições
de entrega), que se tornam decisivos para o fechamento do negócio.
Essa dificuldade em diferenciar sua oferta das apresentadas pelos
concorrentes obriga o vendedor a explorar ao máximo a capacidade
de se apresentar como um consultor que tem plenas condições
de ajudar o cliente a resolver seus problemas.
No entanto, determinadas circunstâncias permitem considerar
esse aspecto da operação de venda sob uma perspectiva
diferente. Com freqüência, o mercado de matérias-primas
está sujeito a acontecimentos de cenário internacional
; ou sofre influências de fatores como a concentração
da produção, cartéis; ou, ainda, é
afetado por especulações de intermediários.
Em geral, esses fatores reduzem a quantidade de matéria-prima
existente no mercado; em conseqüência, o preço
sobe. Nesse caso o vendedor negocia com o cliente uma redução
do fornecimento previsto no futuro imediato ou correspondente
aumento de preço e/ ou, em alguns casos, ambos. Cabe-lhe,
ainda, resolver com muito cuidado o modo de repartir de maneira
proporcional entre os clientes o ônus da diminuição
quantitativa dos fornecimentos previstos.
Elementos
de venda.
- Organização racional do tempo, como o número
de visitas é reduzido, deixar de fazer uma, por desorganização,
torna-se crítico.
- Conhecimento detalhado do produto imposto pela natureza tecnológica
do produto, supõe informações precisas sobre
os benefícios que terá ao cliente.
- A complexibilidade das negociações exige dedicação
especial às relações com o cliente.
- Colaboração com o pessoal técnico do cliente.
O vendedor deve fazer uma ponte entre o comprador e o fornecedor,
participando do trabalho de instalação e atuando
com presteza em casos de reclamações.
- Acompanhamento (follow-up) O vendedor deve fiscalizar o atendimento
ao que foi combinado quanto a prazos e condições
de entrega, serviços de apoio técnico e assim por
diante. A assistência pós-venda é essencial
em função de vend12 futuras, mesmo que apenas de
peças de reposição.
A
oferta de insumos, máquinas e equipamentos.
Ao contrário do que acontece no caso anterior, trava-se
uma disputa mais aberta, em termos de concorrência, no setor
de vend12 de bens insumos, máquinas e equipamentos (componentes,
produtos semi-acabados ou produtos de funcionamento autônomo).
Qualquer desses bens apresenta em geral uma ou alguma particularidades
que representam vantagens para o vendedor atento: a matéria-prima
usada, o desenho, o desempeno ou outros fatores, capazes de diferenciar
o produto de bens semelhantes oferecidos pela concorrência.
O profissional de vend12 sabe aproveitar essas vantagens e empregá-las
na argumentação durante as negociações.
Por essa razão, a comercialização de bens
instrumentais exige do vendedor um nível especial de profissionalismo.
Em muitas circunstâncias o vendedor precisa estar apto a
explicar as diferenças existentes entre seu produto e os
da concorrência, sem, no entanto, ater-se a tecnicismos
incompreensíveis. Ele deve valer-se do conhecimento que
tem a respeito daquilo que tem a oferecer, a fim de transformar
certas características em vantagens e, também, para
mostrar ao cliente em potencial como o produto contribuíra
para a solução de problema.
A oferta de serviços.
A dificuldade da venda de serviços está na intangibilidade
daquilo que se está oferecendo ás pessoas, ou, em
outras palavras, na impossibilidade de fazer o cliente ver, tocar
ou experimentar aqueles serviços (da mesma forma, é
impossível, na maioria da vezes, para o profissional de
vend12 demonstrar como eles funcionam). Ao propô-lo a uma
empresa industrial, o vendedor pode sugeri-los como complemento
de determinado produto principal ou como um bem em si mesmo.
Ninguém imagina a venda de uma máquina – seja
um poderoso torno ou uma minúscula calculadora de bolso
– dissociada da garantia de um componente serviço
de assistência técnica. Em um mundo de produtos categorizados
e muito competitivos, o serviço de apoio pós-venda,
aliado a envolvente personalidade do vendedor, pode fazer toda
a diferença no momento da decisão de compra. No
caso, embora caracterize-se como complemento do produto principal,
o serviço pode assumir grande importância.
Não a problema algum, no entanto, em oferecer o serviços
como um bem à aparte: é possível, por exemplo,
“vender” o trabalho de manutenção da
frota de veículos ou dos aparelhos eletrônicos de
uma empresa, mesmo que ela tenha adquirido tais produtos de quaisquer
outros fornecedores. Encontra-se outro fértil campo de
possibilidades em casos de serviços que custariam muito
caro á empresa, caso essa se depusesse a executá-los
por conta própria. Invariavelmente sai mais barato contratar
pequenas firmas especializadas que se encarregam de fornecer,
por exemplo programas de processamento de dados, organização
de viagens e convenções e assim por diante. Sobre
esse aspecto e levando-se em conta as dificuldades inerentes à
venda de qualquer coisa intangível, a negociação
se desenvolve com mais agilidade.
Afinal, num certo sentido, é muito mais fácil diferenciar,
mesmo que só com uma argumentação, bem elaborada
o próprio serviço daquele que a concorrência
oferece. A conseqüência de tudo isso esta no fato de
que a negociação com bens intangíveis requer
do vendedor habilidade especial. Muitas vezes exige-se dele (independentemente
de sua competência técnica) a peculiar capacidade
de estimular a fantasia do interlocutor, fazendo-o visualizar
a aplicação prática e os benefícios
decorrentes do serviço em sua empresa.
Autor:
Vitor Hugo A. Toss, Consultor em Marketing , especialista em Gestão
da Força de Vendas.
Baseado na edição Vendas, dos cursos profissionais
Globo.
email:
gestao@gestaodevenda.com.br
Boa
sorte, e boas vendas.
Nos encontramos na próxima semana.