O QUE ESPERAR
DE 2005
O
ano de 2004 terminou para a maioria das empresas com gratas surpresas
em relação as previsões feitas ao final de
2003. Apesar dos indicadores macroeconômicos gerais terem
sido preocupantes durante o primeiro semestre a recuperação
da economia no segundo semestre salvou o ano.
O
embalo das exportações gerando um significativo
saldo na balança comercial inundou o mercado de dólares,
fazendo com que o real recuperasse valor frente a moeda americana.
A atratividade do dólar frente ao mercado interno sem poder
aquisitivo fez com que inúmeras empresas dirigissem seus
esforços para o mercado externo. Desta forma e como conseqüência
direta os fornecedores destas empresas exportadoras foram beneficiadas
por este movimento.
Pela necessidade de cumprir prazos e pela alta margem de lucro
obtida não havia pressão significativa sobre o preço
dos insumos consumidos por estas exportadoras. O que importava
era a entrega rápida e os padrões de qualidade.
Todos sabemos que a cadeia do agronegócio puxou fortemente
um conjunto de fornecedores para desempenhos excepcionais. No
segundo semestre o excedente de renda gerada pela ampliação
do emprego e das margens de lucro retornou ao mercado ampliando
o consumo interno que estava represado desde o final de 2002.
Com base neste cenário, extremamente otimista, e acreditando
no milagre do crescimento muitas empresas fizeram projeções
de crescimento significativo para 2005.
E
fica o gerente de vend12 encarregado de cumprir as metas junto
com sua “mui leal e valorosa” força de vendas.
Como
de hábito pouca atenção foi dada ao conjunto
de tendências que tem alta probabilidade de serem confirmadas
em 2005. Vamos examinar algumas destas possibilidades e cada gerente
pode identificar o impacto sobre o seu negócio.
CARGA
TRIBUTÁRIA:
Existe a carga tributária nominal (o que deveria ser recolhido)
e a real (o que é realmente recolhido). Desta forma inúmeras
empresas tendem a continuar ou buscar a informalidade para manter
seus níveis de competição no mercado. Existem
setores na economia de bens de consumo de menor valor aonde a
informalidade chega a 65% ou mais, em algumas regiões do
país este percentual é maior. Este procedimento
normalmente contamina a cadeia produtiva inteira, desde as matérias-primas
básicas até o canal de distribuição.
O contrabando e a falsificação também agravam
este problema nos setores de vestuário, calçados,
eletrônicos e similares.
Se
você gerencia as vend12 de uma empresa que compete neste
cenário poderá enfrentar problemas de sobrevivência,
pois a diferença entre recolher ou não os impostos
é determinante. Procure trabalhar com itens de maior valor
agregado e ofereça ao canal de distribuição
mais serviço e outras garantias que os concorrentes informais
não podem oferecer.
Plano
contingencial. Em virtude dos aumentos freqüentes sobre energia
elétrica, comunicação e combustíveis
tanto estaduais e federais basta adotar um procedimento simples.
Reduza o seu consumo na mesma proporção dos aumentos.
Na energia elétrica faça estudos detalhados de consumo
e provavelmente a redução será superior ao
aumento proposto. Quanto a comunicação revise seus
processo de acesso a clientes e vendedores, crie metas de redução
por setor. No item combustíveis também estabeleça
metas de redução racionalizando o uso dos veículos
da empresa e conferindo a planilha de custos da sua transportadora.
LOGÍSTICA:
A grande demanda de equipamentos de transporte gerada pelas exportações
ocasionou deficiências no atendimento do mercado interno.
Além disso estradas, portos e outros itens de infra-estrutura
estão no limite da sua capacidade. Igualmente fornecedores
de matérias-primas ou insumos privilegiam a exportação
ou seus clientes exportadores gerando pressão sobre os
custos.
Se
você gerencia as vend12 de uma empresa que compete por matérias-primas,
insumos ou equipamentos de transporte com as exportadoras deve
repensar sua estratégia de compras e distribuição.
Economizar em frete ou estoque, ampliando o prazo de entrega ou
não respeitando este prazo não é uma boa
alternativa.
MERCADO
EXTERNO:
As projeções indicam que a demanda externa por “commodities”
tende a gerar menos resultado em 2005 pela queda do volume combinada
com a queda do dólar (cuja evolução poderá
ficar abaixo da inflação). Este cenário não
diminui a atratividade das exportações mas será
acompanhado por um forte pressão sobre os fornecedores
em todos o níveis. Por outro lado, algumas matérias-primas
e insumos terão sua oferta ampliada ao mercado interno.
Se
você gerencia as vend12 de uma empresa que tem forte presença
no fornecimento às exportadoras deve preparar-se para a
renegociação de preços.
JUROS:
A tendência é que os juros possam chegar até
a 20% ao ano durante o primeiro semestre deste ano. A autoridade
monetária tem os juros como principal instrumento de contenção
da inflação cuja meta para 2005 é significativamente
inferior a 2004. O efeito imediato é o encarecimento do
capital de giro e do financiamento da compra.
Se
você gerencia as vend12 de uma empresa que depende de um
ciclo longo de produção ou de financiamento para
os canais de distribuição, revise seus custos e
margens para enfrentar este ônus adicional. Reduza os níveis
de estoque e invista reposição mais rápida
junto aos distribuidores.
MERCADO
INTERNO:
As tendências do mercado interno tem várias possibilidades
conforme a região e o seu perfil econômico. Em termos
gerais a política econômica do governo segue uma
lógica ortodoxa “o que causa inflação
é o aumento da demanda (acima da oferta) gerado pelo aumento
da renda combinado com a plena ocupação da capacidade
produtiva”. A estratégia então é “aumentar
os juros que aumentam o custo dos produtos excluindo seletivamente
alguns consumidores, provocando a redução da demanda
e voltando a equilibrar os preços”. O efeito direto
é a redução da renda pela diminuição
do número de pessoas empregadas.
O
aumento dos juros e a queda do nível de renda são
fatores atingem todos os setores da economia.
Questões
regionais:
Áreas com forte dependência do agronegócio
devem ficar atentas para o desdobramento dos negócios com
o mercado externo. O cenário altamente favorável
trouxe a reboque um reajuste dos custos que combinado com a queda
nominal do dólar e do preço internacional das “commodities”
reduzirão drasticamente as margens de lucro do negócio
como um todo. A cadeia inteira precisará repensar suas
margens sob pena de inviabilizar operações inteiras.
Este cenário não altera a atratividade do negócio,
mas as comunidades que dele dependem sofrerão com a diminuição
do nível disponível de renda e emprego.
Bens
de consumo pessoal:
Este mercado será afetado pela informalidade, juros de
crediário alto e queda do nível de renda. As empresas
que atuam neste segmento precisarão ser criativas estabelecer
posicionamento firme, apostar nas marcas e oferecer ao canal de
distribuição e ao consumidor vantagens reais.
VAREJO:
O varejo exercerá fortemente seu poder de negociação.
A concentração das vend12 em grandes redes é
uma tendência forte e será acentuada durante este
ano. No processo competitivo os fornecedores serão chamados
à mesa de negociação para conceder mais descontos
e condições facilitadas.
Se
você gerencia as vend12 de um empresa que fornece às
grandes redes prepare e revise sua planilha de custos. Você
também pode criar produtos específicos para estes
grandes compradores.
Comentamos
algumas das tendências que tem boa probabilidade de serem
confirmadas. Você como gerente de vend12 deve usar estes
comentários como um guia para orientar sua equipe e levá-la
a um desempenho superior. Dificuldades de mercado são permanentes,
dificuldade para vender é rotina e concorrentes agressivos
surgem a todo o momento. O bom gerente de vend12 faz a leitura
das dificuldades do mercado e antecipa as ações
necessárias para garantir a venda.
Autor:
Vitor Hugo A. Toss, Consultor em Marketing , especialista em Gestão
da Força de Vendas.
Boa
sorte, e boas vendas.
Nos encontramos na próxima semana.