COMO PERDER
CLIENTES
Quando
falamos em atendimento estamos abordando algo muito mais amplo
que a cortesia obrigatória no relacionamento entre cliente
e fornecedor. Mesmo que alguns pensem que ser cortês signifique
o máximo do bom atendimento.
Para tentarmos situar o atendimento em bases conceituais precisamos
entender uma diferença básica entre Qualidade
Percebida x Qualidade Experimentada.
Qualidade
Percebida (QP) é o conjunto de expectativas que
o consumidor vai construindo a partir de diversos “inputs”
recebidos pelo fornecedor. Pode ser um anúncio veiculado
em qualquer mídia, uma vitrine, a abordagem do vendedor,
enfim, qualquer mensagem que instrua o consumidor sobre os benefícios
recebidos se adquirir determinado produto ou serviço.
Qualidade
Experimentada (QE) é o conjunto de experiências
que o consumidor tem ao decidir-se pelo produto ou serviço
em questão. A cada passo em direção à
compra o consumidor vai comparando as suas expectativas com a
realidade do atendimento e das características reais do
produto ou serviço.
O
grau de satisfação depende diretamente da convergência
entre a qualidade percebida e a qualidade experimentada pelo consumidor.
Desta forma, quando a (QE) for igual a (QP) temos um consumidor
indiferente em termos de satisfação, pois o mesmo
recebeu ou confirmou que o que foi informado pelo fornecedor é
real.
Quando a (QE) é superior a (QP) temos um consumidor com
alto grau de satisfação pois o mesmo foi surpreendido
em relação ao que esperava encontrar.
Mas o caso mais grave e comum, infelizmente, é o inverso.
Quando a Qualidade Experimentada é Inferior a Qualidade
Percebida temos um consumidor insatisfeito e decepcionado com
o produto ou serviço.
Como
é construída a insatisfação do consumidor?
Para
exemplificar vou citar alguns casos vividos recentemente e que
ilustram o quanto as empresas podem destruir enormes investimentos
na construção da imagem por simples casos de mau
atendimento.
CASO
1 – O PLANO DE SAÚDE
Durante 12 anos fui beneficiário de um plano de saúde
privado pagando pontualmente as mensalidades. Nunca, em tempo
algum, fui abordado por alguém para avaliar meu grau de
satisfação. Dois episódios fizeram com que
eu trocasse de plano.
Episódio 1: O Mês de dezembro é sempre abarrotado
de compromissos e na tentativa de deixar tudo acertado antes das
férias paguei antecipadamente a mensalidade que venceria
no final de dezembro.
Sem nenhuma razão aparente o referido plano de saúde
emitiu novo documento com vencimento para o mesmo dia. Como eu
estava viajando, minha secretária, pagou a mensalidade
na data constante no documento. Voltando das férias constatei
o equívoco e tentei manter contato com a administradora
do plano. Resumido foram necessários três meses,
dezenas de telefonemas interurbanos (pagos por mim), faxes e uma
ameaça de ação judicial para que o referido
plano compensasse o pagamento feito duplamente no mês de
dezembro. Recebi várias cartas ameaçadoras sobre
a minha “inadimplência”, e em nenhum momento
fui contatado para receber desculpas pelo acontecido. Mesmo assim
mantive minha adesão ao plano de saúde pois considerava
que a incompetência de poucos não deveria afetar
o produto como um todo.
Dois anos depois, verifiquei que os preços do referido
plano subiam aos pontapés. Pesquisei e encontrei no mercado
outros produtos similares que atendiam as minhas necessidades
a um custo mais razoável. Deixei de pagar o referido plano.
Durante três meses ninguém fez qualquer tipo de contato
comigo, apenas quinzenalmente recebia carta comunicando que eu
estava sendo desligado do plano. Na verdade as mensagens diziam
“não queremos mais você como cliente porque
durante doze anos pagou pontualmente as mensalidades do nosso
plano mais caro”
CASO
2 - ASSINATURAS DE REVISTAS
Sou assinante de inúmeras publicações nacionais
e internacionais e posso, desta maneira, comparar a ética
e a seriedade de algumas editoras. Temos as que 30 dias antes
comunicam que a assinatura está para vencer e informam
as condições de renovação. Outras
ainda além da comunicação formal fazem contato
telefônico ou por e-mail para lembrar-me do vencimento da
minha assinatura.
Outras porém, utilizam todo tipo de expediente para ludibriar
os assinantes enviando uma profusão de carnês de
pagamento com linguagem confusa e informações incompletas.
No mês de setembro de 2004 fiquei surpreso ao receber uma
oferta para renovar minha assinatura que vencia em abril de 2005
e garantiria que eu receberia a importante publicação
até abril de 2007. A partir deste fato confiro várias
vezes qualquer documento recebido desta editora e fico esperançoso
que a ética da área de assinaturas não contamine
a linha editorial.
CASO
3 – CARTÃO DE CRÉDITO
Estou em férias e aproveito para fazer as compras necessárias.
Chego ao caixa e naquele clima descontraído de início
de férias, nem reclamo da longa fila no supermercado. Aguardo
pacientemente que os funcionários sem treinamento adequado
dêem conta do movimento. Também não me deixo
influenciar pelos leitores óticos que não lêem,
pelas etiquetas desbotadas que obrigam ao atendente digitar os
longos códigos numéricos. Todos somos contaminados
por uma enorme dose de tolerância à incompetência
nestes momentos. Finalmente vejo as minhas compras serem registradas,
puxo então meu cartão de crédito e o apresento.
O que poderia ser uma simples operação transforma-se
rapidamente numa seqüência de aborrecimentos. A atendente
chama o gerente e o mesmo comunica que o meu cartão está
bloqueado. Argumento que há poucos minutos fiz uma compra
pequena em outro estabelecimento e tudo correu sem problemas.
O gerente então alcança um número para o
qual e deveria ligar. Fiz a ligação de meu celular
e descubro que aquele número não resolve o meu problema
deveria ligar para outro. Fiz a nova ligação e descobri
após longa espera que também eles não poderiam
resolver meu problema. Em resumo, ninguém sabia o que estava
acontecendo com o meu cartão. Deixei as compras, pois não
carregava dinheiro suficiente comigo. Voltando das férias
encontrei um “comunicado importante”, informando que
a administradora identificara um “comportamento estranho”
na utilização do meu cartão, (até
hoje não sei o que o meu cartão aprontou) e informando
um número para o qual eu deveria ligar se houvesse alguma
dúvida. Se pensaram que o número era o mesmo onde
nada foi resolvido acertaram. Nenhum contato, nenhuma ligação,
apenas um papel emitido por computador. Resultado prático,
cancelei o referido cartão.
Este
exemplos extremamente comuns a todos os que estão lendo
este artigo acontecem com freqüência alarmante.
Se
você é gerente de vend12 verifique se coisas parecidas
estão acontecendo com seus clientes e consumidores.
Autor:
Vitor Hugo A. Toss, Consultor em Marketing , especialista em Gestão
da Força de Vendas.
email:
gestao@gestaodevenda.com.br
Boa
sorte, e boas vendas.
Nos encontramos na próxima semana.