VENDAS PARA
NÃO VENDEDORES.
Estou
me apropriando de uma prática que ocorre no mercado de
oferecer livros e seminários de “finanças,
para executivos não financeiros” para iniciar este
artigo. Estranho que não exista no mercado nada similar
para ensinar “vend12, para não vendedores”.
Sempre que falamos com os executivos de vend12 ouvimos uma observação
recorrente. “A área de vend12 não é
compreendida pela empresa e como decorrência enfrenta mais
obstáculos internos do que externos”.
Por
outro lado todos, na organização, concordam que
a área de vend12 é fundamental para a sua sobrevivência.
Mas como explicar o funcionamento do mercado, as peculiaridades
dos clientes e o funcionamento da concorrência às
áreas internas da empresa?
O
ato de vender pode ser resumido em três etapas básicas:
a) Procurar clientes;
b) Chegar até quem decide;
c) Persuadir o cliente a comprar.
A
questão apresentada é a seguinte:
Como as áreas operacionais internas podem efetivamente
vender?
Tudo se inicia pelo entendimento do trabalho necessário
para persuadir alguém a comprar.
A força de vend12 assume compromissos que não são
de sua responsabilidade direta, tais como, prazos de entrega e
desempenho dos produtos/serviços. Ao “vender”
isto é persuadir um cliente a comprar, quem está
“botando a cara” é o vendedor. Quem está
representando a empresa frente ao cliente é o vendedor.
Precisamos
esclarecer que o papel da força de vend12 tem três
tarefas básicas:
1
– Divulgar marca ou produto/serviço;
2 – Gerar lembrança; (ser lembrado quando o cliente
necessitar);
3 – Levar à experimentação. (Persuadir
o cliente a comprar o produto/serviço)
Realizadas
estas três etapas o trabalho do vendedor terminou. Deste
ponto em diante a estrutura operacional da empresa é que
vai dizer se o vendedor estava certo ou não. O produto/serviço
precisará cumprir com o que foi dito a seu respeito. Os
prazos de entrega deverão ser cumpridos e a empresa deverá
por sua marca, propaganda ou atributos do produto fazer com que
o cliente volte a comprar.
Algumas
empresas depositam a expectativa de que o vendedor tenha habilidades
de mágico para empurrar produtos defasados tecnologicamente
ou com preços superiores aos dos concorrentes. Fica a esperança
que contratando bons vendedores qualquer coisa pode ser vendida,
quando sabemos que são produtos/serviços com desempenho
satisfatório e preços competitivos que possibilitam
ao vendedor, pela sua habilidade de persuasão, destacar-se
da concorrência.
Estes
aspectos precisam ser entendidos pelas áreas operacionais
da empresa. Falhas nos produtos/serviços tanto na sua construção
como nos custos que irão impactar sobre o preço
final tiram do vendedor as possibilidades de realizar um bom trabalho.
Uma
das principais orientações do marketing é
a de tratar cada mercado da forma mais próxima das suas
características individuais. Desta forma desenvolvemos
produtos adequados a cada mercado, investimos em mídia
segmentada e procuramos falar a linguagem típica de cada
região onde atuamos. Esta é a principal razão
do sucesso de um grande número empresas. Contudo esta regra
simples e amplamente absorvida pela área comercial não
se aplica à estrutura empresarial como um todo.
Continuamos a verificar a existência de empresas que insistem
na uniformidade de produtos, não
importando as diferenças do mercado, pela insistência
em desconsiderar as contribuições da área
de vendas. Quando verificamos o funcionamento comercial de inúmeras
empresas constatamos que dois pontos ficam explícitos:
A empresa delega exclusivamente à sua força de vend12
o contato com o mercado e os principais executivos estão
afastados do processo de negociação direta com os
clientes. Estes dois aspectos são fundamentais para identificar
se uma empresa é voltada para o mercado ou não.
Quando
a empresa tem a expectativa de que a sua força de vend12
resolva todos os problemas de comercialização está
abrindo mão da sua atividade fim que é "conhecer
as peculiaridades do mercado em que atua para mover-se rapidamente
frente as contínuas modificações propostas
pelos clientes, concorrentes e novas tecnologias". Se os
principais executivos não participam direta e ativamente
da negociação com os clientes estão, não
só "deixando de formar o vínculo necessário
entre cliente e fornecedor" mas principalmente "perdendo
a oportunidade única de identificar quais as dificuldades
que a força de vend12 enfrenta no mercado".
Esta
situação se agrava sobremaneira quando são
utilizados representantes comerciais. Estes profissionais tem
como seu maior patrimônio o relacionamento com os clientes
e são também empresários que procuram minimizar
custos operacionais e maximizar os resultados. Portanto há
um conflito de interesses entre a empresa que sabe da necessidade
de ampliar o atendimento ao cliente e o representante que não
tem interesse em aumentar seus custos (visitas) para o mesmo retorno.
Mesmo assim temos inúmeras empresas organizadas de forma
rígida e linear perante o mercado.
A
estrutura convencional encontrada é: Diretor Comercial,
gerente de vend12, supervisor e vendedores. Este formato uniforme
não atende mais as particularidades de cada mercado, não
permite um atendimento diferenciado aos melhores clientes e é
obstáculo sério à nova dinâmica comercial
que está acontecendo no mercado.
O
grau de concentração de compradores em andamento
principalmente no varejo, as fusões entre empresas industriais,
de serviço e bancos, reduz substancialmente o número
de jogadores no mercado. Segundo um cliente nosso "é
briga de cachorro grande, poucos contra poucos". Manter uma
estrutura de vend12 tradicional atuando neste cenário é
caminho direto para o insucesso. Além disso, um número
crescente de clientes não aceita mais negociações
com vendedores ou representantes, exigindo a presença dos
decisores da empresa. Os contratos são discutidos pelo
período de um ano e diretamente com a diretoria do fornecedor.
Quem
já participa deste processo sabe do que eu estou falando.
Tornou-se urgente reorganizar as formas de acessar o mercado.
A utilização das estruturas convencionais já
não atende as demandas dos clientes e das próprias
empresas. É preciso tratar cada segmento de mercado pelas
suas características próprias, é fundamental
conhecer os critérios de compra de cada organização
e fazer a abordagem comercial levando em conta estes critérios.
Precisamos inserir a figura do distribuidor e do atacado neste
processo. Necessitamos remodelar as formas como os clientes são
abordados.
Todos
na empresa devem ter clientes próprios, trabalhar como
vendedores. As empresas que já utilizam esta modelagem
têm obtido resultados compensadores. O diretor comercial
deve ter um grupo de clientes diretos, trabalhar como vendedor
junto a estes clientes, "sentir" o processo da venda.
Da mesma forma gerentes e supervisores devem atuar como vendedores
junto a um grupo selecionado de clientes. Aliando a experiência
com a prática no mercado os executivos podem contribuir
de forma decisiva para melhorar os resultados da empresa. Se você
é um executivo da área comercial, financeira ou
industrial procure lembrar qual foi a última vez em que
trabalhou como "vendedor" da empresa, em que do seu
desempenho dependeu o fechamento de um negócio. Espero
que tenha sido poucos minutos antes de ler este artigo.
Autor:
Vitor Hugo A. Toss, Consultor em Marketing , especialista em Gestão
da Força de Vendas.
email: vitor@gestaodevenda.com.br
Boa
sorte, e boas vendas.
Nos encontramos na próxima semana.