Neste
artigo abordamos as diversas técnicas aplicáveis
à gestão da carteira de clientes visando ampliar
os resultados e a lucratividade.
 |
1 – COMO AUMENTAR AS VENDAS?
Esta questão está
presente nos dia-a-dia dos gerentes e vendedores. Todo o esforço
de qualquer área comercial está focado em responder
a esta questão.
Existem seis maneiras de uma empresa ampliar seu
volume de vendas e para cada uma delas é necessário
um conjunto de ações e estratégias específicas:
1. Ampliando o mercado em que a
empresa atua, conquistando novas regiões ou novos segmentos
para os produtos que fabricamos.
2. Ampliando o mix de produtos oferecidos às regiões
e segmentos já atendidos.
3. Desenvolvendo novos produtos para novas regiões ou novos
segmentos ainda não atendidos.
4. Ampliando a participação no mercado conquistando
novos clientes nas regiões já atendidas.
5. Ampliando o valor médio de compra do cliente melhorando
as condições de negociação.
6. Ampliando a freqüência de compra dos clientes melhorando
o atendimento.
Neste artigo vamos focar nossa análise na “gestão
da carteira de clientes” que contempla as estratégias
4, 5 e 6 de aumento das vendas e tem efeito imediato.
2 – O QUE É GESTÃO
DA CARTEIRA DE CLIENTES?
Gerir uma carteira de clientes significa
lidar com técnica e eficiência com os diversos momentos
e estágios da relação do cliente com a empresa:
a) A duração do relacionamento
é decorrente da percepção que o cliente tem
da empresa e do vendedor que o atende. O trabalho do vendedor é
demonstrar diariamente que aquele cliente é “único”
e que suas necessidades e características são levadas
em conta no momento da negociação.
b) Todo cliente representa à
empresa um fluxo financeiro e uma fonte de lucros. Quanto maiores
forem os esforços para a sua retenção,
maior será o tempo em que o mesmo contribuirá para
o crescimento da empresa. O cliente permanecerá na carteira
do vendedor enquanto houver coincidência entre o que o vendedor
promete e a empresa cumpre.
| |
LTV - O "Life
Time Value"
é o total de receitas potenciais, presentes
e futuras que um cliente pode proporcionar à sua empresa
ao longo do tempo. Se somarmos os diferentes “LTV´s
(valores no tempo) de todos os clientes de uma empresa, obtemos
a estimativa total de receitas que uma empresa poderia conseguir
dos clientes que tem no momento presente. O LTV leva em consideração
as variáveis:
(F) Freqüência = Número de vezes que o cliente
compra por período.
(V) Valor = Valor médio de compra por período.
(T) Tempo = Em períodos de compra. |
| |
|
| |
Participação
no Volume de Compra dos Clientes.
Alguns clientes compram exclusivamente da sua empresa, outros
dividem suas compras entre vários fornecedores. O vendedor
deve investigar estes clientes e identificar: a) os motivos
pelos quais não compram exclusivamente dele: b) qual
o potencial de venda que poderia ser realizado; c) estabelecer
uma meta para ampliar a venda. Utilizando a mesma fórmula
do LTV podemos considerar as seguintes variáveis:
(F) Freqüência = Número de vezes que o cliente
compra por período.
(VA) Valor adicional de venda. (Exemplo: 20% mais que a venda
atual)
(T) Tempo = Em períodos de compra. |
| |
|
| |
Resultado das Vendas
Além de medir o potencial futuro das vendas para um conjunto
de clientes é necessário aferir o resultado que
estes clientes propiciam à empresa.
Utilizando a mesma fórmula do LTV podemos considerar
as seguintes variáveis:
(F) Freqüência = Número de vezes que o cliente
compra por período.
(M) Margem média de lucro por compra.
(T) Tempo = Em períodos de compra. |
c) No esforço de rentabilização
da carteira o vendedor precisa conhecer os seus clientes. Genericamente
os clientes são classificados em três grandes categorias
– Ouro, Ferro e Chumbo. Os clientes Ouro
representam os de melhor desempenho geral, em termos de margem de
contribuição. São cobiçados pelos concorrentes
e exigem do vendedor o melhor atendimento e negociação.
Os clientes Ferro são os que compram grandes volumes e por
isso mesmo trazem lucro menor. São indispensáveis
para manter o ponto de equilíbrio financeiro da empresa.
Requerem do vendedor suas melhores ofertas e atendimento diferenciado
pelo que representam. Por fim os clientes Chumbo são aqueles
que geram maiores custos de atendimento, compram volumes baixos
ou com margens aquém das necessárias. Eles ajudam
a “afundar” o desempenho do vendedor, pois geram novas
demandas continuamente e o proporcionam resultados baixos. Para
estes clientes o vendedor tem três alternativas:
| |
c.1 – Investigar as necessidades
deste cliente e propor novos produtos;
c.2 – recombinar as bases da negociação;
c.3 – trocar este cliente por outro que apresente melhor
resultado. |
d) A construção de
uma relação sólida e honesta entre o vendedor
e os clientes da sua carteira possibilita indicá-los como
referência e recomendação para
superar objeções na aquisição de novos
produtos/serviços, facilitando a negociação.
e) A maioria dos clientes não
abandona a empresa pelos erros cometidos ou pelo descumprimento
das promessas feitas. O abandono acontece pela falta de explicações
e ações de correção do problema causado
pela empresa aos seus clientes. A ação rápida
de correção, encaminhada e coordenado pelo vendedor,
reforça o esforço de retenção dos clientes
reduzindo a quantidade de clientes inativos da sua carteira.
f) Clientes inativos constituem
um considerável potencial de compras que não está
sendo bem trabalhado ou sequer está sendo trabalhado. Estes
clientes, em algum momento, compraram da empresa, foram atendidos
e algum motivo desconhecido os levou a cessar o relacionamento com
a nossa empresa. No esforço de recuperação
dos clientes inativos o vendedor deve coletar informações
na própria empresa e junto ao cliente sobre os motivos da
inatividade. Separar estes problemas por categoria, por exemplo:
- Clientes com problemas de crédito;
- Clientes que encerraram as atividades;
- Clientes que mudaram o foco do negócio:
- Clientes que tiveram algum problema de atendimento (listar o tipo
de problema) etc.
De posse destas informações o vendedor deverá
preparar um plano de abordagem para reconquistar este cliente, incluindo
ofertas especiais, atendimento diferenciado, etc.
3 – GESTÃO LUCRATIVA
DA CARTEIRA DE CLIENTES.
O principal desafio do vendedor
é administrar o “patrimônio” que recebe
configurado numa carteira de clientes de forma eficiente e lucrativa.
Prestar atenção no resultado e não apenas no
volume das vendas efetuadas é o melhor caminho para atingir
margens de contribuição crescentes no processo de
venda.
Os vendedores que utilizam as melhores técnicas de negociação
obtêm melhores resultados em suas vendas.
Cada cliente que compõe a
carteira deve ser encarado como uma fonte de resultados e não
simplesmente como alguém que consome nossos produtos.
Lidar com a questão do lucro não é tarefa fácil,
por questões ideológicas e pessoais de cada vendedor.
Alguns vendedores desconsideram que seu trabalho é gerar
lucro para a empresa que os emprega, somente isso justifica seu
emprego.
4 – AUMENTO DO VALOR MÉDIO
DAS COMPRAS.
“Cross Selling” é
a oferta de novos produtos/ serviços ou complementares aos
que já são adquiridos pelos clientes. A cada novo
produto ou serviço adicionado ao “carrinho de compras”
teremos um volume maior de resultado e um grau de relacionamento
melhor com os nossos clientes.
“Up selling” é
a oferta de produtos/serviços com valor unitário ou
margem de contribuição maior dos que o cliente consome
atualmente. Neste caso é importante conhecer bem o cliente
e saber a relação custo benefício entre os
produtos/serviços atualmente adquiridos e a oferta que pretendemos
fazer.
Estas duas técnicas “cross
selling” e “up selling” exigem que o vendedor
conheça muito bem os clientes que fazem parte da sua carteira,
pois, simplesmente ofertar, sem provar quais os benefícios
que o cliente obterá com as novas aquisições,
não vai trazer os resultados esperados.
Se este dois conceitos estiverem
presentes na gestão da carteira os vendedores poderão
obter desempenhos superiores nas suas vendas.
5 – AUMENTO DA FREQÜÊNCIA
DAS COMPRAS – MELHORANDO O ATENDIMENTO.
A atuação proativa
do vendedor antecipando-se ao cliente, fazendo propostas e ofertas
“provoca” o cliente e a análise do que está
em negociação. Se o cliente costuma ligar à
tarde, ligue pela manhã. Se o cliente costuma fazer contato
nas quintas-feiras antecipe sua reunião ou ligação
para a quarta-feira.
Tenha sempre em mãos as últimas
compras feitas, as vendas que você perdeu e os motivos, liste
os itens que já foram vendidos ao cliente e que, no momento,
não estão sendo adquiridos.
Busque os clientes que já compraram de você e que não
compram faz algum tempo, investigue as razões, saiba o que
aconteceu na última compra e porque o cliente não
está mais comprando. Estabeleça uma meta diária
de recuperação de clientes inativos. Verifique quanto,
em %, é a efetividade da sua carteira. Para quantos clientes
você consegue vender, por dia, semana e mês?
Atendimento significa atenção
com o cliente,, significa mostrar claramente que você lembra
dele toda hora e todo dia e não somente quando ele faz contato.
Os melhores resultados na gestão
da carteira estão neste dois tópicos “melhoria
da negociação” e “melhoria no atendimento”.
6 - REGISTRO E ACOMPANHAMENTO DAS FASES DO CICLO
DA VENDA .
O ciclo da venda é composto
por diversas fases que indicam em que estágio está
a negociação com o cliente.
O ciclo da venda é composto
dos seguintes estágios que configuram a boa técnica
de venda.
- Prospecção –
Quais prováveis clientes abordar para cada produto?
- Qualificação –
Conhecimento do negócio e necessidades dos clientes.
- Pré-abordagem – Que
informações sobre o cliente e o produto devo coletar?
- Abordagem – Qual o momento
e os argumentos de abordagem?
- Apresentação da
solução – Como os benefícios do novo
produto vão ser
apresentados?
- Demonstração –
Como o cliente poderá experimentar o novo produto?
- Lidar com as objeções
– Preparar argumentos para as objeções.
- Negociação –
Qual o estilo do cliente? Qual a melhor técnica de persuasão?
- Fechamento – O momento certo
de contratar o novo produto.
- Pós-venda – Qual
o grau de satisfação com o novo produto adquirido?
O ciclo da venda tem dois princípios
básicos:
a) é um funil imaginário que demonstra quantos clientes
passaram de uma fase para a outra; isto é, se quisermos um
bom numero de fechamentos deveremos “colocar” no funil
um número maior de prováveis clientes “prospects”.
b) Nenhum cliente avança
pelo funil até que a etapa anterior seja integralmente cumprida.
Este princípio evita que sejam despendidos esforços
de contatos, visitas e demonstrações com clientes
que não têm condições de adquirir nossos
produtos ou serviços.
O vendedor deve registrar as ações
realizadas em cada estágio do ciclo da venda, o sucesso ou
não destas ações e para que novo estágio
o cliente progrediu. Com o registro sistemático o vendedor
poderá verificar a sua taxa de sucesso em cada estágio
e em que estágio as negociações estão
emperrando. O registro permite também que as demais áreas
da empresa possam aprimorar sua contribuição ao processo
de venda.
7 – INDICADORES DE DESEMPENHO
DA GESTÃO DA CARTEIRA DE CLIENTES.
O acompanhamento sistemático
do desempenho da carteira permite ao vendedor rever suas práticas
de trabalho, solicitar ajuda para corrigir suas falhas, identificar
oportunidades de negócio e melhorar o desempenho geral.
Os principais indicadores de gestão
da carteira são:
- Efetividade é o percentual
dos clientes atendidos sobre o total da carteira;
- Rentabilidade das vendas efetuadas pelo vendedor;
- Clientes recuperados;
- Clientes novos captados;
- Percentual de clientes inativos;
- Número de vendas por cliente;
- Valor médio das vendas por cliente;
- Novos produtos vendidos aos clientes da carteira;
- Diferença entre o planejado e o realizado de vendas. Volume,
Valor e Margem Bruta.
- e outros que sejam específicos de cada empresa.
8 – MÉTODO DE ANÁLISE
DA CARTEIRA DE CLIENTES.
Situação atual de
Clientes Ativos:
1 – Ramo de atuação
– Para encaixá-lo num segmento e identificar oportunidades
2 – Perfil de Compra – Itens, Quantidades, Valor, Freqüência,
Margem, Custo
3 – Efetividade – Consultado, Ofertado, Vendido
4 – Classificação atual do cliente – Ouro,
Ferro, Chumbo
5 – Potencial de Compra – Itens atuais, Novos itens,
itens mais lucrativos.
6 – Estudo do Potencial – Novo perfil de consumo possível.
7 – Planejamento da abordagem – decidir o que e como
vai ser oferecido.
8 – EXECUTAR O PLANO
9 – Monitorar as variáveis – Itens, Quantidade,
Valor, Freqüência, Margem, Custo e
efetividade.
10 - COMEMORAR OU COMEÇAR TUDO DE NOVO
OBSERVAÇÕES FINAIS.
Vendedores que sabem gerenciar adequadamente
sua carteira de clientes são “extra-classe”,
profissionais que honram a profissão e servem de exemplo
para milhares de colegas. Para chegar ao mesmo estágio você
só precisa de algum esforço e organização,
o resultado virá a rapidamente.
Boa sorte, boas
vendas e até o próximo artigo!

|
| |
| E-zine é uma
publicação semanal enviada gratuitamente para38.200
profissionais da área de vendas pela equipe de consultores
da Vendasnet. |
Vendasnet Consultoria e Treinamento em Vendas.
 |